29/01/16

Amarante Literatura - "Um dia, Pascoaes encontrou num eléctrico da Foz uma loira inglesinha que o perturbou... "


(Carlos Carneiro, Eugénio de Andrade e Pascoaes, na Praia da Foz, em 1951)


«Um dia, Pascoaes encontrou num eléctrico da Foz uma loira inglesinha que o perturbou... Seguiu-a e passou a ir vê-la patinar, numa garagem, onde se reuniam vários jovens praticantes desse desporto, sobretudo ingleses. De regresso entrava no mesmo carro eléctrico e contentava-se com esta romântica contemplação...

De repente, a rapariga desapareceu. O Poeta aflito e alarmado , procurou saber o que se passava. E soube, então, que ela tinha ido para Inglaterra. Não hesitou. Foi procurá-la a Londres.

Embarcou no navio «Augustine», em Novembro de 1909.

Mal desembarcou, bateu à porta do 2 Hall Road, Str. John's Stood. Levava uma carta de apresentação. Foi bem recebido.

Pascoaes regressou feliz, quinze dias depois. Seguiu-se um período de troca de correspondência e de enternecido enlevo.

Depois, o poeta adoeceu. Não tem esperança na cura. Não quer prendê-la. deixa de escrever. Mais tarde ela acaba por morrer tuberculosa.

Em 1911, publicou um novo livro - «Marânus» -, um longo poema cíclico de grande exaltação e simbolismo, consagrado à Saudade.

Uma parte desta obra foi escrita em Travanca do monte, à sombra de um enorme penedo que ainda hoje existe intacto. A outra parte foi escrita, como atrás dissemos, no Mirante da Casa de Pascoaes.


(O Penedo de Travanca do monte à sombra do qual Pascoaes escreveu parte do "Marânus", inédito.)

A figura central do cântico saudosista «Marânus», Eleonor, foi inspirada pela lembrança de Leonor Dagge, a loira inglesinha da Foz.

A serra do Marão é o grande cenário desta peregrinação saudosa:

«Pois só morre quem ama, e quem é amado
Vive sempre em espírito saudoso...» in "Na Sombra de Pascoaes" de Maria José Teixeira de Vasconcelos.

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