24/02/18

Política de Saúde - A incidência da relação entre o HPV e o cancro de cabeça e pescoço tem vindo a aumentar a nível mundial, razão que investigadores e médicos indicam estar na origem de atingir cada vez mais jovens.


Ana Castro, médica especialista em Oncologia, investigadora e presidente do Grupo de Estudos de Cancro de Cabeça e de Pescoço (GECCP)


«CANCRO DE CABEÇA E PESCOÇO AFETA CADA VEZ MAIS JOVENS. E NÃO É POR CAUSA DO TABACO NEM DO ÁLCOOL

O cancro de cabeça e pescoço sempre foi associado a homens com mais de 50 anos, fumadores e consumidores regulares de bebidas alcoólicas. Contudo, hoje em dia, estes tumores estão a aparecer em pessoas mais jovens, entre os 30 e 45 anos, que não fumam, não bebem ou bebem pouco. As explicações em um artigo de Ana Castro, médica especialista em Oncologia, investigadora e Presidente do Grupo de Estudos de Cancro de Cabeça e de Pescoço (GECCP).

A incidência da relação entre o HPV e o cancro de cabeça e pescoço tem vindo a aumentar a nível mundial, razão que investigadores e médicos indicam estar na origem de atingir cada vez mais jovens.

O HPV é um vírus muito comum que, geralmente, é encontrado em qualquer pessoa em algum momento da vida. Este vírus pode afetar a pele e as membranas húmidas que cruzam certas partes do corpo humano, nomeadamente, boca e garganta.

O facto de agora estar a ser associado a tumores na região da cabeça e pescoço deve-se à prática de sexo oral, sem proteção e com múltiplos parceiros.

Além disso, a falta de higiene íntima e bucal também aumenta o risco de transmissão de vírus e de desenvolvimento de tumores, principalmente localizados na amígdala, orofaringe e língua.

Sendo o sexto tipo de cancro mais comum no mundo, tem origem na pele ou nos tecidos moles, na parte superior dos aparelhos respiratório e digestivo: Glândulas Salivares; Seios Perinasais e Fossas Nasais; Faringe (Nasofaringe, Orofaringe e Hipofaringe); Laringe e Gânglios Linfáticos.

Em geral, os sintomas mais comuns são um inchaço ou uma ferida na cavidade oral, dificuldade em engolir, dores de ouvidos, rouquidão ou dores de garganta incessantes.

Estes sintomas são frequentemente confundidos com outras condições benignas, o que faz com que os diagnósticos cheguem tardiamente. No nosso país, mais de 50% dos doentes são diagnosticados num estadio avançado da doença porque desvalorizaram os primeiros sintomas e, nestes casos, as consequências são mais drásticas. Por vezes, é necessário remover uma parte, ou até mesmo toda a língua ou ainda as cordas vocais e isso acarreta, necessariamente, condições psicológicas.

Ainda não há estimativas concretas sobre o número de casos de cancro de cabeça e pescoço causados pelo HPV mas os investigadores acreditam que até 2020 esta causa supere os cancros causados pelo consumo excessivo de tabaco e cigarros.

Neste sentido, torna-se premente continuar a desenvolver esforços no sentido da prevenção, através de campanhas de sensibilização para os fatores de risco dirigidos a grupos com comportamentos de risco.

Um artigo de Ana Castro, médica especialista em Oncologia, investigadora e Presidente do Grupo de Estudos de Cancro de Cabeça e de Pescoço (GECCP).» in https://lifestyle.sapo.pt/saude/saude-e-medicina/artigos/cancro-de-cabeca-e-pescoco-afeta-cada-vez-mais-jovens


(HPV: as peças que faltam quanto à prevenção)


(Esclarecimento sobre HPV)


(HPV - o que é e como se trata)

F.C. do Porto Andebol: F.C. do Porto 34 vs Belenenses 26 - O FC Porto confirmou o favoritismo e venceu o Belenenses, no jogo disputado na tarde deste sábado, no Dragão Caixa, relativo à 23.ª e antepenúltima jornada da primeira fase do Andebol 1.



«MISSÃO CUMPRIDA COM 30 MINUTOS À PORTO

Boa segunda parte valeu vitória caseira sobre o Belenenses (34-26), na 23.ª jornada do Andebol 1.

O FC Porto confirmou o favoritismo e venceu o Belenenses por 34-26, no jogo disputado na tarde deste sábado, no Dragão Caixa, relativo à 23.ª e antepenúltima jornada da primeira fase do Andebol 1. Depois de uma primeira parte em que esteve longe de ser brilhante, a equipa orientada por Lars Walther mostrou a sua melhor versão na segunda e garantiu mais três pontos que a mantêm na luta pelo primeiro lugar da tabela.

Ao contrário do jogo da primeira volta, que os portistas venceram por 32-29​, quem esteve por cima na primeira parte foi o Belenenses, que entrou desinibido e liderou o marcador durante largos períodos perante um FC Porto que teve uma entrada algo amorfa, titubeante, e que defensivamente teve muitas dificuldades para parar o ataque do adversário. Ao intervalo, não surpreendia, portanto, que a equipa do Restelo estivesse na frente do marcador (17-16).

O intervalo não podia ter feito melhor aos Dragões. Lars Walther fez algumas mudanças na equipa e corrigiu os erros cometidos durante o primeiro tempo. Para além disso, os Dragões regressaram ao rinque com outra atitude, encetando uma fuga no marcador que o Belenenses não foi capaz de acompanhar. Num ápice, em apenas dez minutos, impuseram um parcial de 9-0, ganhando uma vantagem confortável que depois souberam gerir com mestria até a buzina soar pela última vez.

“Estou muito desapontado com a primeira parte, em que tivemos demasiado respeito pelo Belenenses. Ao intervalo fizemos alguns ajustamentos na defesa e na segunda parte viu-se bem a diferença, penso que estivemos bem melhor no segundo tempo”, comentou Lars Walther, que agora vai preparar a equipa para a deslocação a Fafe, agendada para o próximo sábado, às 18h00. A partida tem transmissão em direto no Porto Canal

FICHA DE JOGO

FC PORTO-BELENENSES, 34-26
Andebol 1, 1.ª fase, 23.ª jornada
24 de fevereiro de 2018
Dragão Caixa

Árbitros: Mário Coutinho e Ramiro Silva (Aveiro)

FC PORTO: Alfredo Quintana, Hugo Laurentino e Sérgio Morgado; Victor Iturriza, Spelic (1), Yoel Morales (4), Miguel Martins (2), Ángel Hernández (3), Rui Silva (2), Daymaro Salina (5), Jose Carrillo (4), Diogo Branquinho (2), António Areia (3), Miguel Alves (3) e Aleksander Spende (4)
Treinador: Lars Walther

BELENENSES: João Moniz e Miguel Moreira (g.r.); Ricardo Ferreira, Nuno Santos (3), Valter Soares (1), Carlos Siqueira (4), Filipe Pinho (2), Ricardo Correia (1), Pierre Malfoy, Diogo Domingos, Marco Gil, Fábio Semedo (3), João Ferreira (9), Ricardo Silva, Marcos Araújo e Nelson Pina (2)
Treinador: João Florêncio

Ao intervalo: 16-17
Disciplina: cartão vermelho para Fábio Semedo (30m)» in http://www.fcporto.pt/pt/noticias/Pages/andebol-fcporto-belenenses-24jor-andebol-1.aspx

F.C. do Porto Sub 15 Futebol: Vitória de Guimarães 1 vs F.C. do Porto 2 - Foi preciso uma equipa de Sub-15 a jogar “à Porto” para conseguir trazer na tarde deste sábado três pontos do Campo número cinco do Complexo Desportivo António Pimenta Machado, em Guimarães.



«SUB-15: TRIUNFO SUADO EM GUIMARÃES PARA MANTER LIDERANÇA DESTACADA

FC Porto venceu o Vitória, por 2-1, em jogo da 11.ª jornada da segunda fase do campeonato.

Foi preciso uma equipa de Sub-15 a jogar “à Porto” para conseguir trazer na tarde deste sábado três pontos do Campo número cinco do Complexo Desportivo António Pimenta Machado, em Guimarães, onde venceram o Vitória, por 2-1, em jogo da 11.ª jornada da segunda fase do Campeonato Nacional de juniores C (Zona Norte).

Frente a um adversário aguerrido, que tudo fez para dificultar a vida aos líderes destacados do campeonato, a atitude da equipa comandada por Tulipa acabou por fazer a diferença, num jogo que os azuis e brancos controlaram na primeira parte, mas que tiveram vida difícil na segunda, após a expulsão de David Vieira (duplo amarelo), quando faltavam 25 minutos para o final do jogo.

O golo inaugural (8m) surgiu na sequência de um canto marcado por Francisco Ribeiro, enquanto o 2-0 apareceu quatro minutos depois, por Veríssimo Amaro. O golo vimaranense foi marcado já no segundo tempo, ao minuto 60.

Os Sub-15 portistas alinharam com: Luís Estéfano, Diogo Ribeiro, David Vinhas, Tiago Antunes, Leandro Dias, David Vieira, Martim Tavares, Francisco Ribeiro, Veríssimo Amaro (Marco Cruz, 51m), Diogo Abreu (Tiago Carvalho, 35m) e Ruben Ferreira (Candal) (Gonçalo Guimarães, 60m).» in http://www.fcporto.pt/pt/noticias/Pages/sub-15-vsc-fcporto-cnjc-2fase-11jor-serie-norte.aspx

F.C. do Porto Hóquei Patins: F.C. do Porto Fidelidade 5 vs Turquel 3 - O FC Porto Fidelidade somou na tarde deste sábado a sétima vitória consecutiva no Campeonato Nacional de hóquei em patins, ao vencer, no Dragão Caixa, a formação do Turquel.



«EXIBIÇÃO SEGURA PARA SUPERAR O TURQUEL

FC Porto venceu por 5-3, na 17.ª jornada do Campeonato Nacional de hóquei em patins.

O FC Porto Fidelidade somou na tarde deste sábado a sétima vitória consecutiva no Campeonato Nacional de hóquei em patins, ao vencer, no Dragão Caixa, a formação do Turquel, por 5-3. Em jogo da 17.ª jornada, os golos portistas foram da autoria de Hélder Nunes (2), Telmo Pinto, Reinaldo Garcia e Ton Baliu.

Tal como tinha acontecido na última partida, frente ao Juventude de Viana, o FC Porto teve uma entrada em campo muito afirmativa. Hélder Nunes precisou apenas de dois minutos para fazer subir o marcador e dar uma vantagem madrugadora aos Dragões, que o próprio viria a dobrar aos 16, da marca de livre direto. Nesse período o Turquel tudo fez para chegar ao empate e, verdade seja dita, não fosse a inspiração de Nélson Filipe, até o poderiam mesmo ter conseguido.

Mas o que aconteceu foi precisamente o inverso. Os portistas, por intermédio de Telmo Pinto, cavaram uma margem mais segura (3-0) e só aí o Turquel foi capaz de reagir: Vasco Luís falhou o primeiro penalti, mas o Árbitro Vasco Luís mandou repetir o lance, desta vez com sucesso.

O segundo tempo abriu com novo golo azul e branco, desta vez de Reinaldo Garcia (31m), o que acabou por esfriar os ânimos da equipa forasteira, que não conseguiu mais do que sair do pavilhão do campeão com uma derrota por 5-3. Isto porque até ao final do encontro Gonçalo Alves ainda fez o 6-3, mas por um erro de cronómetro o lance acabou por ser anulado.

No final da partida, o técnico Guillem Cabestany destacou o bom início de partida como chave para um triunfo num jogo que os portistas souberam controlar e gerir do início ao fim: “Queríamos começar intensos porque o Turquel é uma equipa que tem um bom nível físico. Entrámos bem, mas durante o jogo todo não conseguimos abrir resultado de forma a ter a máxima tranquilidade. Defendemos bem e tivemos um jogo controlado. É mais uma vitória para continuar na luta”, afirmou.​​

FICHA DE JOGO 

FC PORTO FIDELIDADE-TURQUEL, 5-3
Campeonato Nacional, 17.ª jornada
24 de fevereiro de 2018
Dragão Caixa, no Porto

Árbitros: Luís Peixoto e João Duarte

FC PORTO FIDELIDADE: Nélson Filipe (g.r), Hélder Nunes (cap.), Reinaldo Garcia, Rafa e Gonçalo Alves
Jogaram ainda: Ton Baliu, Jorge Silva, Alvarinho e Telmo Pinto
Treinador: Guillem Cabestany

TURQUEL: Marco Barros (g.r), Daniel Matias, André Moreira, Vasco Luís (cap.) e Pedro Vaz
Jogaram ainda: Luís Silva, André Pimenta, João Silva e Tiago Mateus

Treinador: Nélson Lourenço

Ao intervalo: 3-1
Marcadores: Hélder Nunes (2m, 16m), Telmo Pinto (20m), Vasco Luís (22m, 25m), Reinaldo Garcia (31m), Pedro Vaz (32m), Ton Baliu (43m), 

Disciplina: cartão azul a Luís Silva (16m)» in http://www.fcporto.pt/pt/noticias/Pages/hoquei-em-patins-fcporto-turquel-cn-17jor-.aspx

23/02/18

Ambiente e Ecologia - Nos últimos 50 anos a floresta Amazónia viu a sua vegetação diminuir uns impressionantes 17%, à conta da desflorestação, sendo que a situação é grave, alertam os autores de um estudo agora publicado, com o “ponto de não retorno” a aproximar-se a uma velocidade galopante.



«AMAZÓNIA: “PONTO DE NÃO RETORNO” ESTÁ PERIGOSAMENTE PERTO

Nos últimos 50 anos a floresta Amazónia viu a sua vegetação diminuir uns impressionantes 17%, à conta da desflorestação. A situação é grave, alertam os autores de um estudo agora publicado, com o “ponto de não retorno” a aproximar-se a uma velocidade galopante.

E se neste momento, 17% da vegetação desta imensa floresta está já comprometida, caso os valores atinjam os 20%, isso representará um verdadeiro “abismo climático”. As conclusões foram partilhadas por Thomas Lovejoy e Carlos Nobre na revista Science Advances, com uma certeza: a situação é bem pior do que se imaginava.

Tida como o pulmão do mundo, a floresta amazónica é responsável pela produção de cerca de metade da sua própria precipitação pluvial. Isto acontece quando a vegetação recicla a humidade à medida que o ar se move desde o Oceano Atlântico, através da América do Sul, até ao oeste.

A floresta amazónica tem um papel fundamental no ciclo da água do planeta Terra, condicionando de forma bem real o bem-estar humano, a agricultura, as estações secas, bem como o comportamento da chuva na grande maioria dos países da América do Sul.

Factores como a desflorestação, as alterações climáticas e os incêndios que amiúde afectam a região, são responsáveis pela situação crítica que atinge esta floresta com uma área aproximada de 5 500 000 km².

Foto: via Creative Commons » in https://greensavers.sapo.pt/amazonia-ponto-de-nao-retorno-esta-perigosamente-perto/


(DESTRUIÇÃO DA AMAZÓNIA)


(Os impactos que os desmatamentos na Amazónia causam no planeta.)


(Amazónia Desconhecida [HD] Documentário Dublado)

História Paleontologia - A mais antiga arte das cavernas conhecida do mundo foi criada por Neandertais, o que revela que estes já eram capazes de pensar simbolicamente, capacidade que a ciência e a história reservava ao homem moderno, ou seja, ao Homo sapiens.



«Afinal, a arte não é exclusiva do homem moderno. Estudo revela que Neandertais já eram capazes de pensar simbolicamente

A mais antiga arte das cavernas conhecida do mundo foi criada por Neandertais, o que revela que estes já eram capazes de pensar simbolicamente, capacidade que a ciência e a história reservava ao homem moderno, ou seja, ao Homo sapiens.

O relatório publicado na revista Science baseia-se em resultados obtidos com novas tecnologias capazes de revelar de forma mais precisa a idade das pinturas rupestres. O estudo foi realizado em sítios arqueológicos espanhóis.

"Esta é uma descoberta incrivelmente emocionante, que sugere que os Neandertais eram muito mais sofisticados do que se acredita popularmente", salientou o principal autor do estudo, Chris Standish, arqueólogo da Universidade de Southampton.

"Os nossos resultados mostram que as pinturas que datamos são, de longe, as mais antigas artes das cavernas conhecidas do mundo".

Uma vez que foram criadas há cerca de 64.000 anos - pelo menos 20.000 anos antes dos humanos modernos chegarem à Europa provenientes de África - "devem ter sido feitas pelos neandertais", acrescentou.

Usando principalmente pigmentos vermelhos e às vezes pretos, foram retratados grupos de animais, estêncil de mãos, gravuras, pontos, discos e desenhos geométricos nas pinturas rupestres em La Pasiega, no nordeste de Espanha, em Maltravieso, a oeste, e Ardales, no sul do país.

Estas interpretações simbólicas apontam para uma inteligência que anteriormente se acreditava pertencer exclusivamente aos humanos modernos, ou seja, o Homo sapiens.

"O surgimento da cultura material simbólica representa um limiar fundamental na evolução da humanidade", afirmou o coautor do estudo Dirk Hoffmann, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva. "É um dos principais pilares do que nos torna humanos".

Novas tecnologias

São várias as evidências que existem para desmentir o mito de que os Neandertais eram seres brutos. As informações recolhidas mais recentemente apontam que estes eram capazes de impulsos decorativos e de rituais, como enterrar os seus mortos.

Mas as pinturas rupestres eram um dos últimos bastiões que pareciam diferenciar os humanos modernos dos Neandertais, que morreram há cerca de 35 mil anos.

"Nos últimos anos vimos estudos que mostraram que os Neandertais utilizaram amplamente os objetos ornamentais, estruturas potencialmente construídas e, no geral, pareciam muito mais capazes de processos cognitivos simbólicos do que historicamente foi considerado", disse à AFP Adam Van Arsdale, professor associado de antropologia na Wellesley College.

"Estes resultados sugerem que, além disto, as pinturas rupestres já não distinguem os Neandertais dos humanos modernos", disse Van Arsdale, que não participou do estudo.

Os resultados refletem também "alguns desenvolvimentos técnicos impressionantes em técnicas de datação em contextos de caverna, questões que sempre representaram um desafio para a compreensão do tempo dos eventos-chaves na evolução humana".

Datar sem destruir 

Até agora, descobrir a idade da arte rupestre sem a destruir era difícil.

A nova abordagem baseia-se na obtenção de uma idade mínima para a arte das cavernas "usando a datação por urânio-tório (U-Th) de crostas de carbonato que cobrem os pigmentos", explicou Hoffman.

A técnica de datação U-Th é baseada na decomposição radioativa de isótopos de urânio em tório. Esta técnica é capaz de determinar a idade das formações de carbonato de cálcio que remontam a até 500.000 anos, muito mais do que o método de radiocarbono amplamente utilizado, explica o relatório.

Foram analisadas mais de 60 pequenas amostras, de menos de 10 miligramas cada, das três cavernas.

Um segundo estudo, também publicado esta semana por Hoffmann e pelos seus colegas, determinou a idade de um depósito arqueológico localizado na Cueva de los Aviones, uma caverna no mar no sudeste de Espanha, em 115.000 anos, mais antigo que descobertas similares no sul e norte da África associadas com o Homo sapiens.

"Esta caverna continha conchas perfuradas, pigmentos vermelhos e amarelos e recipientes de conchas contendo misturas complexas de pigmentos", afirmou o relatório. A datação mostra que eles vieram de uma época em que os neandertais viviam no oeste da Europa.

"De acordo com os nossos novos dados, os Neandertais e os Homo sapiens compartilhavam o pensamento simbólico e devem ter sido cognitivamente indistinguíveis", afirmou Joao Zilhao, investigador da Instituição Catalã de Pesquisa e Estudos Avançados em Barcelona, ​​envolvido em ambos os estudos.

Estudos futuros poderão revelar muito mais cavernas onde a arte provavelmente era realizada por Neandertais, acredita o coautor do estudo Paul Pettitt, da Universidade de Durham.

"Nós temos exemplos em três cavernas separadas por 700 quilómetros de distância, e evidências de que era uma tradição de longa duração. É bem possível que artes rupestres semelhantes em outras cavernas da Europa Ocidental também tenham origem nos Neandertais", disse.

"Os Neandertais criaram símbolos significativos em lugares significativos. A arte não é um acidente isolado".

AFP/ Kerry Sheridan» in https://24.sapo.pt/tecnologia/artigos/afinal-a-arte-nao-e-exclusiva-do-homem-moderno-estudo-revela-que-neandertais-ja-era-capazes-de-pensar-simbolicamente

Religião - Foram seis dias de retiro espiritual para Francisco, orientado por Tolentino Mendonça e ao longo de dez meditações, houve espaço para mais do que a Bíblia, sendo que o sacerdote, teólogo e escritor português levou consigo várias referências literárias, mostrando que Deus pode falar em qualquer texto.



«Francisco viajou 30 quilómetros para ouvir Tolentino Mendonça. E estas foram as palavras do padre português para o Papa

Foram seis dias de retiro espiritual para Francisco, orientado por Tolentino Mendonça. Ao longo de dez meditações, houve espaço para mais do que a Bíblia. O sacerdote, teólogo e escritor português levou consigo várias referências literárias, mostrando que Deus pode falar em qualquer texto. O que teve a dizer o padre português ao Papa Francisco?


Vatican News

A 18 de fevereiro, o Papa Francisco deslocou-se até Ariccia, a cerca de 30 quilómetros de Roma, para um retiro espiritual até esta sexta-feira, dia 23, orientado pelo padre e teólogo português José Tolentino Mendonça, ordenado em 1990, e consultor do Conselho Pontifício para a Cultura da Santa Sé.

Às 15h de Lisboa, o Papa Francisco abandonou o Vaticano, de autocarro e na companhia de alguns elementos da Cúria, o governo do Vaticano. Em vista estava o retiro espiritual de uma semana, que se realiza todos os anos durante a Quaresma, período que antecede a Páscoa. Durante este período foram suspensas todas as habituais audiências do líder da igreja católica.

As sessões de meditação — dez, no total —, em torno do tema "O elogio da sede", decorreram sob a orientação do padre José Tolentino Mendonça, vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa, na Casa do Divino Mestre dos religiosos paulistas, em Ariccia. Ao SAPO24, D. Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa, explica que “os pontos de reflexão são naturalmente da responsabilidade do pregador”.

Num texto publicado no site da Pastoral da Cultura, Tolentino Mendonça refere este convite do Papa Francisco. “Quando o Santo Padre quis falar comigo para que colaborasse nos Exercícios da Quaresma, disse-lhe que eu sou apenas um pobre padre, e é a verdade. Ele encorajou-me a partilhar da minha pobreza. Veio então à minha mente propor um ciclo de meditações muito simples sobre a sede, intitulado 'Elogio da sede'. A sede é um tema bíblico, elaborado muitas vezes pela tradição cristã, e ao mesmo tempo é um mapa real, muito concreto, que nos ajuda a ficarmos sintonizados com a vida de todos os dias. Interessa-me sobretudo uma espiritualidade do quotidiano”.

O programa do retiro consistiu na celebração da missa às 7h30 locais, seguida de uma primeira meditação às 9h30. Da parte da tarde, às 16h, uma segunda meditação — exceto no primeiro e último dias —, a oração das vésperas e a adoração eucarística. O conteúdo base nas meditações foi disponibilizado no site Vatican News.

18 de fevereiro
A primeira meditação do retiro teve como tema “Os aprendizes do espanto”, inspirada no Evangelho de S. João. Com a história de Jesus que pede de beber à samaritana, Tolentino Mendonça fala da surpresa da mulher para com o pedido, trazendo a mesma admiração para o dia-a-dia quando Jesus se dirige a cada pessoa. “Dá-me o que tens, abre teu coração, dá-me o que és” são os pedidos de Jesus, explicou o teólogo.



créditos: Vatican News

O momento contou ainda com citações, por parte de Tolentino Mendonça, dos escritores Eduardo Galiano, Lev Tolstoi e Fernando Pessoa. No fim, a lição pareceu simples: temos de “aprender a desaprender”.

“Desaprendamos para aprender aquela graça que tornará possível a vida dentro de nós. Desaprendamos para aprender até que ponto Deus é a nossa raiz, o nosso tempo, a nossa atenção, a nossa contemplação, a nossa companhia, a nossa palavra, o nosso segredo, a nossa escuta, a nossa água e a nossa sede”, referiu.

19 de fevereiro
A segunda meditação intitulou-se “A ciência da sede”. Mais uma vez, a inspiração é bíblica, agora vinda do livro do Apocalipse. Mas as influências literárias do responsável pelo retiro fizeram-se sentir novamente. Na sala ouviram-se Milan Kundera, Emily Dickinson e Saint-Exupéry, entre outros.



créditos: Vatican News

Na passagem do Apocalipse, as palavras usadas são “quem tem sede”, “quem quiser” — “expressões que se referem a nós”, afirmou Tolentino Mendonça. “Estamos tão próximos da fonte e vamos para tão longe, perdidos em desertos, em busca da torrente que nos mate a sede e ignorando assim o dom que Deus tem para nos dar.”

Já na terceira meditação — “Dei-me conta de ser sedento” —, o objetivo do padre português foi chamar a atenção para o facto de haver “nas nossas culturas e nas nossas igrejas, um défice de desejo”. Mas há solução: "tratar as vidas como campos que precisam de ser irrigados e fecundados, para poderem germinar".

Para ajudar, novamente os escritores, nomeadamente Clarice Lispector e Simone Weil. “Utilizamos, nos nossos dias, a literatura ao fazer teologia. Os escritores são mestres espirituais importantes”.

20 de fevereiro
“Esta sede de nada que nos faz adoecer”. Este foi o mote da primeira meditação de terça-feira. “O contrário da sede é a preguiça”, referiu o teólogo português. “Quando perdemos a curiosidade e nos fechamos ao inédito ficamos apáticos e começamos a ver a vida com indiferença”.



créditos: Vatican News

Para exemplificar, referiu um dos problemas mais frequentes na atualidade: a síndrome de Burnout. Este esgotamento emocional é definido por “síndrome do bom samaritano desiludido”, afetando muitas pessoas cuja principal ocupação é ajudar o próximo, como é o caso dos sacerdotes. Segundo uma sondagem entre o clero da Diocese de Pádua apresentada por Tolentino, os padres com maior probabilidade de virem a sofrer esta síndrome têm entre os 25 e os 29 anos, passando depois para a faixa etária dos 70 anos.

Na última meditação do dia, José Tolentino Mendonça centrou-se na “sede de Jesus”, com base no episódio do Evangelho de S. João em que Cristo, na cruz, afirma ter sede. “A sede física documentava de forma convincente que Jesus era de carne e osso, como qualquer pessoa”, mas também tinha “sede da salvação dos Homens”, referiu.

Por outro lado, a ideia da sede foi desconstruída através do episódio da samaritana, que já havia sido referido: Jesus pede água, mas é Ele quem lhe dá de beber e promete “água viva”. As palavras são então interpretadas “como sede física, mas desde o início que tinham um sentido espiritual”, disse Tolentino.

21 de fevereiro
Naquela que foi a sexta meditação do retiro do Papa Francisco, Tolentino Mendonça aproveitou os exemplos das mulheres que aparecem nos Evangelhos para referir “As lágrimas que falam de uma sede”.



créditos: Vatican News

Nos Evangelhos, a forma de expressão feminina passa mais por gestos do que por palavras. Mas, mesmo assim, “com esta linguagem, evangelizam com o modo dos simples, dos últimos”. Em S. Lucas há um fio condutor entre as mulheres: as lágrimas. E o próprio Cristo também chora.

Mais uma vez Tolentino usou uma referência literária. As lágrimas “contam histórias” sem palavras, como referiu Roland Barthes. “As lágrimas suplicam a presença de um amigo capaz de acolher a nossa intimidade sem palavras e abraçar a nossa vida, sem julgar”, acrescentou o sacerdote.

À tarde, na sétima meditação, o tema foi “beber da própria sede”, uma necessidade de construção. Usando os conceitos de nomadismo e sedentarismo, Tolentino Mendonça lembrou que a fé cristã é uma experiência nómada, enquanto a “doença do século XXI” é o sedentarismo — que também pode ser espiritual. “Tornamo-nos guias de peregrinos, mas não peregrinamos mais”.

22 de fevereiro
A meditação da manhã de quinta-feira começou com referências à parábola do filho pródigo, um história de misericórdia, perdão e amor. Há um filho mais novo com “um desejo de liberdade e passos falsos”. E, por isso, acaba no vazio e na solidão. Por outro lado, o filho mais velho, que tem “dificuldade em viver a fraternidade, recusa a alegrar-se do bem do outro e é incapaz de viver a lógica da misericórdia”.



créditos: Vatican News

Para José Tolentino Mendonça a mensagem a transmitir era óbvia: todos somos assim. “Na verdade, dentro de nós não existem apenas coisas bonitas, harmoniosas e resolvidas. Dentro de nós existem sentimentos sufocados, tantas coisas que devem ficar claras, doenças, inúmeros fios por ligar. Existem sofrimentos, reconciliações necessárias, memórias e fissuras que devem ser curadas por Deus”, disse. E, para isto, a resposta: a misericórdia é um dos “atos soberanos de Deus” — tal como se revelou aos irmãos da parábola.

A meditação da tarde, intitulada “escutar a sede das periferias”, teve como objetivo olhar para o mundo. “É essencial ter os olhos bem abertos à realidade do mundo que está à nossa volta”, iniciou Tolentino Mendonça.

Olhar para os outros foi o que fez também o Papa Francisco na Encíclica Laudato Si. “Um problema particularmente sério é o da quantidade de água disponível para os pobres, que provoca mortes a cada dia”, citou. A resolução passa, também, por “adotar uma autêntica conversão de estilos de vida e de coração” diante da “sede das periferias”.

Mas que não se pense que Cristo não olha para estes espaços. Afinal, era ele também um “homem da periférico”. “Não nasceu cidadão romano, não pertencia ao primeiro mundo da época, nasceu em Belém e cresceu em Nazaré” — ficou entre as periferias de Israel e do domínio romano, mas dali chegou a todo o mundo.

Para o sacerdote português, a Igreja do século XXI é também ela periférica, trazendo desafios: é preciso encontrar espaços que não sejam “vazios do religioso”, mesmo que não sejam centrais. Referiu, também, outros espaço que podem ser considerados periferias dentro de uma cidade, como hospitais ou prisões, dirigindo-se também para aí a Igreja.

23 de fevereiro
A última meditação do retiro orientado pelo padre José Tolentino Mendonça teve como título “A bem-aventurança da sede”. Nesta intervenção, o teólogo centrou-se na passagem do Evangelho sobre as Bem-aventuranças para mostrar que estas são “um auto-retrato de Jesus”: pobre em espírito, manso e misericordiosos, sedento e homem de paz, necessitado de justiça, acolhedor de todos, alegre no testemunho à humanidade. Com isto, questionou “como anunciamos nós as bem-aventuranças?”.



créditos: Vatican News

No anúncio e na descoberta, a figura de Maria para encerrar o retiro. “Maria é mulher de escuta. Deixa-se visitar, mantém abertas as portas do coração e da vida”. Mas nós tendemos a viver numa cápsula, fechados. Contudo, à semelhança do anjo que a visitou, também cada pessoa pode acolher Deus: com atos de hospitalidade e honestidade.

Mas mais do que um aviso para cada presente no retiro, Tolentino deixou um conselho para a Igreja, que “deve aprender com Maria a compaixão, a ternura e a cura que a sede de cada ser humano requer”.

No final, o Papa Francisco dirigiu algumas palavras a Tolentino Mendonça: "Quero agradecer, em nome de todos, por este acompanhamento ao longo destes dias, que hoje se prolongarão com jejum e orações pelo Sudão do Sul, pelo Congo e também pela Síria, lembrando com esta referência o dia de hoje como jornada mundial de oração e jejum pela paz.

"Obrigada, padre, por ter falado da Igreja, por nos ter feito sentir de facto Igreja, este pequeno rebanho. E também por nos ter avisado para não nos 'encolhermos' com a nossa mundanidade burocrática! Obrigada por nos ter recordado que a Igreja não é uma gaiola para o Espírito Santo, que o Espírito voa e trabalha também fora. E com as citações e as coisas que disse, mostrou-nos como Deus trabalha com os não crentes, com os pagãos, com as pessoas de outras confissões religiosas: é universal, é o Espírito de Deus que é para todos", disse Francisco.

Com isto, o Papa Francisco e os seus colaboradores concluíram esta manhã os Exercícios Espirituais de Quaresma. Está previsto que o Santo Padre regresse ao Vaticano ao início desta tarde.» in https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/francisco-viajou-30-quilometros-para-ouvir-tolentino-mendonca-e-estas-foram-as-palavras-do-padre-portugues-para-o-papa

Mundo Pessoas - Cosplayers são pessoas que se se vestem e caracterizam como personagens de animes, filmes, séries televisivas ou videojogos.



«Cosplay, um aglomerado de artes para todas as idades

“O Carnaval já passou" ou "Ainda é cedo para o Halloween" são algumas das frases que os cosplayers mais ouvem. "Vai haver algum teatro?" costuma ser a pergunta que se segue.

Cosplayers são pessoas que se se vestem e caracterizam como personagens de animes, filmes, séries televisivas ou videojogos.

O termo "cosplay" surgiu da junção das palavras "costume" e "play" e apareceu originalmente nos Estados Unidos nas convenções “geek”. No entanto foi o Japão que popularizou o cosplay e seria a partir desse país que esta prática se espalharia pelo resto do mundo.

Fazer cosplay não é o mesmo que mascarar-se para o Carnaval. Geralmente implica outro esforço e cuidado. São muitas as horas de trabalho e dedicação em busca dos tecidos e materiais com as cores e texturas exatas para preparar o fato. São tantas ou mais as horas em frente ao espelho a experimentar e praticar técnicas de maquilhagem para modificar o rosto sem cirurgia. Técnicas de cabeleireiro são muitas vezes aplicadas na estilização de perucas, por exemplo.

Muitos encaram o cosplay como um hobby, um passatempo de miúdos, mas esta tendência é muito mais do que isso. É uma constante aprendizagem de artes e técnicas que juntam gerações à mesa, seja para pedir ajuda aos avós que ainda sabem costurar à máquina ou à mão, ou para pedir conselhos ao pai na loja de ferragens. Uma grande parte dos cosplayers cria os seus fatos e acessórios do início, pois esse é também um dos requisitos para se competir a nível nacional e internacional.

Além da costura e maquilhagem são também muitas vezes usadas técnicas de palco para a construção de skits. Nesses casos são também adquiridas bases de representação, edição de vídeo, fotografia e som para a montagem do espetáculo.

Dizer que o cosplay é uma arte não está de todo correto. É um aglomerado de artes que pode ajudar ao crescimento saudável e mais integrado de muitos jovens, sobretudo dos mais tímidos, que conseguem assim crescer num ambiente onde ser diferente é bem aceite.

Se não é hobby, é uma profissão? Pode ser, mas poucos são os que conseguem viver exclusivamente disto. É algo que ocupa tanto tempo que quase parece um segundo trabalho, mas pelo qual em vez de recebermos um ordenado somos obrigados a gastar uma boa parte dele.

Não é uma atividade barata, principalmente para quem faz grandes fatos ou vários ao longo do ano. Ainda assim é uma forma excelente de se aprender a fazer a gestão de recursos, tempo e orçamento.A comunidade portuguesa está a crescer de forma estável e saudável e é fácil todos se conhecerem uns aos outros, graças aos vários eventos que têm lugar ao longo do ano.

Em Portugal a Associação de Cosplay tem vindo a desenvolver um trabalho de promoção junto das escolas e pais, de forma a que exista um maior apoio por parte da família.

Uns têm vergonha, outros não sabem por onde começar, mas não é difícil. Esta é uma comunidade aberta que sabe receber bem quem está no início e quer aprender, e são muitos os que se dispõem a ajudar com dicas via Facebook. A Associação de Cosplay é um dos mais recentes exemplos nessa área e tem comprovado que os adeptos desta prática não estão sozinhos, afinal...

Texto: Pantapuff (http://folhaembranco.blogs.sapo.pt/)

Fotos: Nuno Carneiro e Pantapuff» in https://mag.sapo.pt/showbiz/artigos/cosplay-um-aglomerado-de-artes-para-todas-as-idades


(O Mundo do Cosplay - Portugal)


(Cosplay World Masters 2017 - Portugal - Pantapuff Cosplay)


HERÓIS DO COSPLAY - COMIC CON PORTUGAL 2016 COSPLAY VIDEO (2-2)

22/02/18

Arte Pintura - Num texto publicado no diário britânico “The Guardian”, a pintora portuguesa, Paula Rego, revelou as intromissões e comentários que ouviu enquanto pintava o retrato oficial do ex-Presidente da República, Jorge Sampaio.



«Paula Rego e o retrato de Sampaio que apanhou Portugal em fundo

Num texto publicado no diário britânico “The Guardian”, a pintora portuguesa revelou as intromissões e comentários que ouviu enquanto pintava o retrato oficial do ex-Presidente da República, Jorge Sampaio.

Desta vez não deu para o termómetro da controvérsia subir uns graus. As confissões de Paula Rego no autorretrato escrito para o “The Guardian”, a dias da inauguração da exposição “All Too Human: Bacon, Freud and a Century of Painting Life”, que integra obras suas a par das de uma série de outros grandes nomes na Galeria Tate Britain, em Londres, não foram tão longe que deixassem o assunto cair da mesa para o chão, onde tudo dá azo à balbúrdia formigante dos que se estraçalham por migalhas. Os condimentos, no entanto, estavam todos lá. Tínhamos o retrato de um antigo Presidente da República cuja figura, poderia dizer-se, se entrega mais facilmente à aguarela do que à pintura a óleo, tínhamos uma pintora com que se pode contar para não filtrar tudo o que pensa ao ponto de, no fim, se confundir com tantos artistas que parecem não pensar nada, e tínhamos, finalmente, a frase que sugeria outra coisa: “Fazer o retrato de Jorge Sampaio quase me matou”.

Se Paula Rego diz que só pinta pessoas quando lhes parece que elas aguentam a mudança de plano, da vida para a arte, quando emprestam alguma matéria às histórias que os quadros procuram contar - mesmo se a pintora só as descobre no fim -, acrescenta que, para o fazer, pode até dispensar a ligação emocional com o retratado. Ora, no caso de Sampaio, ela garante que essa ligação existia então e mantém-se até hoje. “Ele é um homem muito bom. Ou, pelo menos, foi muito bom para mim. Ainda somos amigos.”

Contudo, a história que o quadro conta talvez tenha ficado para segundo plano devido aos constrangimentos que se puseram à pintora quando aceitou fazer o retrato. Paula Rego revela as dificuldades e uma série de contratempos que não podia ter antecipado: “Começámos a trabalhar num estúdio do último rei de Portugal [a pintora refere-se à Casa do Regalo, mandada construir por D. Carlos I]: ele fora um pintor muito bom e tinha um estúdio no que é hoje a residência oficial do Presidente. Fazer o retrato tornou-se quase impossível - as pessoas entravam e diziam ‘aquele braço não ficou bem’ ou ‘O nariz dele não é assim’. No final eu disse: ‘talvez devêssemos ir para outro lado’. Acabámos por ir para uma sala repleta de armários cheios de copos de vidro e trabalhei muito arduamente, fiquei instalada num hotel próximo e ia deitar-me sempre exausta.”

A descrição oferece mais flores à paródia do que a um embaraço num testemunho que se pretende servir dignamente à posteridade. O curioso é que a petit histoire, neste caso, se não macula a imagem de Sampaio, deixa à sua volta esse zumbido tão característico de certa saloiice arrogante, esse perfume empertigado que se cheira nos corredores do mais pequeno poder, e se distingue à légua como portuguesa. Esta ‘pincelada’ basta para pôr a fita a desenrolar-se nas nossas cabeças, e assim vemos o desfile desses narizes vindo espiar o trabalho de Paula Rego, e, ato contínuo, produzindo sentenças, sentindo-se habilitados a sugerir correções. 

A arte é, entre nós, esse consultório onde o paciente logo tem lições para dar ao médico. Imagine-se se não só estes, mas os eletricistas, os canalizadores ou serralheiros, se além de serem chamados a prestar os seus serviços, ainda tivessem que levar com os reparos e as intromissões de bem intencionados amadores. No caso de Paula Rego, cuja obra goza já do tipo de prestígio mundial que deveria protegê-la destes incidentes, é ainda mais tocante imaginar a entourage presidencial a cirandar pelo estúdio convencida de que o estatuto não a colocava acima da premência dos seus reparos. A solução foi esconder-se num quarto dos fundos, assim esquivando-se à turba dos nossos críticos de arte. É o tipo de cena que haveria de divertir Eça de Queirós, um dos escritores que mais vezes serviu de influência à pintura de Paula Rego. Portanto, e como se vê, é o eterno retorno a vir cobrar à portuguesa a sua taxa.

Exposição na Tate

“All Too Human: Bacon, Freud and a Century of Painting Life”, a mostra que inaugura dia 28 deste mês e ficará patente até 27 de agosto, integra uma série de obras de artistas que “tenham capturado a experiência intensa de viver através da pintura”, segundo o museu, e inclui trabalhos de Walter Sickert, Stanley Spencer, Michael Andrews, Frank Auerbach, R. B. Kitaj, Leon Kossoff e Jenny Saville, entre outros.

Quanto ao auto-retrato, desta vez em palavras, é um testemunho valioso em que a pintora portuguesa uma vez mais avança pistas para que o seu trabalho seja encarado de forma desassombrada, explicando a evolução do seu método de trabalho, recuando à infância, e ao primeiro retrato que fez: “Quando tinha nove anos fiz um desenho da minha avó. Foi o primeiro de um vivo. Ela estava ali sentada a coser - não sabia que eu a estava a desenhar. Parecia-se com ela. Costumava trazer pintos nos bolsos e, às vezes, até crias de coelho. Mantinham-na quente. Ela gostava deles. Às vezes levava-os para passear.”

Como sempre em Paulo Rego a vida ganha um efeito de sobressaturação. As cores são mais fortes, os aspetos mais ordinários são agarrados com uma tal firmeza que parecem mexer-se dentro dos seus contornos, não morrem, não ficam comportados e serenos, pousando, mas adquirem um efeito de radiância. E não se trata de captar a alma, nem esse género de triunfantes banalidades que tantos artistas repetem para que o seu silêncio ou mistério não seja encarado como um vazio, mas há uma pulsão vital a que Paula Rego aprendeu a ser fiel. Assim, ela diz-nos como muitas vezes o que importa é puxar da vida esses traços que lhe devolvem a sua semelhança, e confiar neles para segurarem o fôlego de tudo o resto. Para o ilustrar, a pintora recorre a um episódio que se passou com o poeta T.S. Eliot. Um artista incumbido de o pintar ter-lhe-á dito: “Vou capturar a tua alma.” Ao que Eliot retorquiu: “Deixa lá a minha alma e concentra-te para que a minha gravata fique bem.”

A pintora conclui assim o seu autorretrato lembrando o cuidado que um artista aprende ao olhar a vida tentando retratá-la. “Quanto mais o fazes, melhor te tornas a olhar, e essa é uma disciplina que é fundamental qualquer que seja a forma como faças o teu trabalho.”» in https://sol.sapo.pt/artigo/601667

F.C. do Porto Hóquei Patins: Juventude de Viana 2 vs F.C. do Porto Fidelidade 7 - O FC Porto Fidelidade venceu na noite desta quarta-feira o Juventude de Viana, em jogo da 16.ª jornada do Campeonato Nacional de hóquei em patins.



«TESTE EM VIANA SUPERADO COM DISTINÇÃO

FC Porto venceu o Juventude de Viana por 7-2, na 16.ª jornada do Campeonato Nacional.

O FC Porto Fidelidade venceu na noite desta quarta-feira o Juventude de Viana, por 7-2, em jogo da 16.ª jornada do Campeonato Nacional de hóquei em patins. Diante um teste sempre difícil, num pavilhão com um dos ambientes mais adversos de todo o campeonato, os Dragões não se deixaram intimidar e mantêm assim os dois pontos de desvantagem para a liderança que é do Benfica.

Uma entrada avassaladora, e repleta de eficácia, tornou desde cedo fácil para o FC Porto um jogo que habitualmente a Juventude de Viana costuma complicar. Isto porque aos seis minutos já os azuis e brancos levavam uma vantagem de três golos. Hélder Nunes, aos dois minutos, Reinaldo Garcia, logo a seguir, aos três, e Rafa, aos seis, deram uma vantagem confortável aos portistas, que a partir daí contruíram com naturalidade um resultado mais avolumado.

Foi com uma vantagem de três golos que saíram para as cabines, mas não demorou muito até que a margem se alargar. De novo uma entrada forte, com dois golos em oito minutos, deu a tranquilidade definitiva à turma de Guillem Cabestany. Foi com o 5-0 no marcador que apareceu a primeira reação da equipa da casa, aos 36 minutos, mas já demasiado tarde para beliscar o triunfo azul e branco. Até ao final do encontro houve ainda tempo para mais dois golos forasteiros e um para a equipa da casa, com o resultado final a fixar-se no 7-2, uma margem de cinco golos que os portista já haviam conseguido no jogo da primeira mão.

No final da partida, o técnico Guillem Cabestany mostrou-se muito satisfeito com o trabalho da equipa, em especial nos primeiros minutos de jogo, em que soube tornar fácil uma missão que todos esperavam muito difícil: “Estávamos à espera de um jogo muito difícil, como tiveram os dos nossos adversários aqui. Entrámos bem, fizemos o nosso trabalho. Soubemos aproveitar as situações. Também queríamos limpar rápido da cabeça as sensações do jogo em Vic, embora aí já não houvesse grande interesse competitivo. Continuamos na luta, já a pensar no Turquel”, afirmou o técnico.

FICHA DE JOGO 

JUVENTUDE DE VIANA- FC PORTO FIDELIDADE, 2-7
Campeonato Nacional, 16.ª jornada
21 de fevereiro de 2018
Dragão Caixa, no Porto

Árbitros: Joaquim Pinto e Paulo Raínha

JUV. VIANA: Jorge Correia, Tó Silva (cap.), Nuno Santos, Nélson Pereira e Emanuel Garcia
Jogaram ainda: Gustavo Lima, Francisco Silva e João Ramalho 
Treinador: Renato Garrido

FC PORTO: Carles Grau, Hélder Nunes (cap.), Reinaldo Garcia, Rafa e Gonçalo Alves
Jogaram ainda: Telmo Pinto, Jorge Silva, Avarinho e Ton Baliu
Treinador: Guillem Cabestany

Ao intervalo: 0-3
Marcadores: Hélder Nunes (2m), Reinaldo Garcia (3m), Rafa (6m, 27m), Jorge Silva (33m), João Ramalho (36m), Alvarinho (42m) e Gustavo Lima (25m)» in http://www.fcporto.pt/pt/noticias/Pages/Juv-Viana-FC-Porto-16a-jor-Camp-Nac-1718.aspx

Liga NOS: Estoril 1 vs F.C. do Porto 3 - O FC Porto cumpriu com distinção os 45 minutos que faltavam do jogo no Estoril, referente à 18.ª jornada da Liga NOS.



«37 DIAS DEPOIS, A REVIRAVOLTA

Alex Telles, que saiu lesionado, e Soares (2) apontaram os golos do FC Porto no Estoril (3-1).

O FC Porto cumpriu com distinção os 45 minutos que faltavam do jogo no Estoril, referente à 18.ª jornada da Liga NOS. A perder por 1-0 desde o dia 15 de janeiro, os Dragões marcaram por Alex Telles (53m) e Soares (59m e 67m) e reforçaram a liderança do Campeonato, agora com 61 pontos, mais cinco do que Benfica e Sporting. Ainda assim, nem tudo foi perfeito na reviravolta portista, sendo de lamentar a lesão de Alex Telles, que obrigou à substituição do lateral brasileiro.

Com seis alterações em relação à equipa que iniciou o jogo a 15 de janeiro, o FC Porto entrou como se esperava: forte, intenso e dominador. Apenas quatro minutos após o reatamento, Herrera proporcionou a primeira defesa da tarde a Renan Ribeiro, mas pouco depois o guarda-redes brasileiro nada pôde fazer para evitar a igualdade. Alex Telles cobrou um livre no flanco direito do ataque portista e a bola entrou diretamente na baliza, ainda que Soares tenha esboçado o cabeceamento (53m).

Entre o empate e a reviravolta passaram-se apenas seis minutos: Renan Ribeiro defendeu para a frente o remate de Corona e Soares estava no sítio certo para a recarga vitoriosa (59m). O avançado brasileiro atravessa um grande momento de forma e não se ficou por aqui, pois também foi assinado por ele o lance que sentenciou o encontro. O remate falhado de Herrera foi parar caprichosamente ao pé direito de Soares, que não perdoou no momento de aumentar para 3-1 (67m).

Sétimo golo nos últimos quatro jogos para o número 29, a figura maior de uns 45 verdadeiramente à Porto. O 3-1 até acaba por ser lisonjeiro para o Estoril, tantas foram as vezes que os azuis e brancos chegaram com perigo à baliza de Renan Ribeiro. As lágrimas de Alex Telles no banco não deixaram nenhum portista indiferente, pelo que esta vitória tem dedicatória especial. A liderança do Campeonato saiu reforçada, mas os cinco pontos de diferença ainda não fazem jus à superioridade do FC Porto em relação aos rivais.

VER FICHA DE JOGO» in http://www.fcporto.pt/pt/noticias/Pages/2017%20-%202018/37-dias-depois-a-reviravolta-2-21-2018.aspx


Resumo: Estoril 1-3 Porto (Liga 18ªJ)

Taça UEFA Youth League: F.C. do Porto 3 vs Salzburgo 1 - A equipa de Sub-19 do FC Porto está nos quartos de final da UEFA Youth League depois de receber e bater esta quarta-feira o Salzburgo, no Olival, em partida dos oitavos de final da prova.



«SUB-19 NOS “QUARTOS” DA UEFA YOUTH LEAGUE

Dragões venceram o Salzburgo (3-1), no Olival, nos oitavos de final da prova.

A equipa de Sub-19 do FC Porto está nos quartos de final da UEFA Youth League depois de receber e bater esta quarta-feira o Salzburgo (3-1), no Olival, em partida dos oitavos de final da prova. Diogo Bessa (22m), Diogo Leite (75m) e Kuku Fidelis (89m) apontaram os golos dos Dragões frente aos austríacos, atuais detentores do troféu. O adversário portista na próxima eliminatória será o Tottenham.

A etapa inicial do FC Porto-Salzburgo não foi pródiga em oportunidades de golo, mas na primeira de que dispuseram, os Dragões adiantaram-se no marcador por intermédio de Diogo Bessa, com assistência primorosa de Madi Queta (22m). Apesar da maior pressão austríaca, em jeito de reação à desvantagem, a equipa de João Brandão aguentou a diferença até ao intervalo.

O segundo tempo teve muito mais que se lhe diga, a começar pelo golo do empate do Salzburgo, atribuído a Sekou Koita quando o ressalto nas costas de Diogo Costa foi o pormenor mais decisivo do lance (68m). Os Dragões reagiram em força à igualdade e ganharam nova vantagem com um belo golpe de cabeça de Diogo Leite, após canto cobrado pelo capitão Paulo Estrela.

O jogo partiu-se a partir daqui e foram muitos os espaços que se abriram, mas foi de bem longe o golo que sentenciou a partida: Kuko Fidelis encheu o pé esquerdo e disparou um míssil à baliza de Bartłomiej Żynel, que nada pôde fazer perante a força e colocação do remate (89m).

“Foi uma vitória muito difícil, tal como era expectável, uma vez que defrontámos o atual detentor do troféu. É uma equipa muito poderosa fisicamente e com muita velocidade. Sabíamos que teríamos de ter um grande controlo emocional para conseguir vencer este jogo. Reagimos bem ao golo do empate e o nosso segundo golo deixou-nos mais tranquilos e confortáveis. Penso que, no cômputo geral, a vitória do FC Porto é mais do que justa”, afirmou o treinador João Brandão no final do encontro.

FICHA DE JOGO

FC PORTO-SALZBURGO, 3-1
UEFA Youth League, oitavos de final
21 de fevereiro de 2018
Centro de Treinos e Formação Desportiva, em Vila Nova de Gaia

Árbitro: Sandro Schärer (Suíça)
Assistentes: Bekim Zogaj e Jean-Yves Wicht (Suíça)
Quarto árbitro: João Matos (Portugal)

FC PORTO: Diogo Costa; Diogo Queirós, Pedro Justiniano, Diogo Leite e Diogo Bessa; Paulo Estrela (cap.), João Lameira e Afonso Sousa; Mamadu Lamba, Madi Queta e Santiago Irala
Substituições: Santiago Irala por Junior Maleck (71m), Madi Queta por Kuku Fidelis (79m) e Mamadu Lamba por Isah Musa (83m)
Não utilizados: Ricardo Silva, Cláudio Silva, João Mário e Vítor Ferreira
Treinador: João Brandão

SALZBURGO: Bartłomiej Żynel; Julian Gölles, Mahamadou Dembele, Nico Gorzel (cap.) e Jusuf Gazibegović; Jungmin Kim, Dominik Szoboszlai e Philipp Sturm; Nicolas Meister, Romano Schmid e Dogbole Niangbo
Substituições: Dogbole Niangbo por Sekou Koita (55m), Romano Schmid por Matteo Meister (56m) e Philipp Sturm por Mohamed Camara (78m)
Não utilizados: Daniel Antosch, Lorenz Leskosek, Nemanja Zikic e Alexander Schmidt
Treinador: Gerhard Struber

Ao intervalo: 1-0
Marcadores: Diogo Bessa (22m), Koita (68m), Diogo Leite (75m), Kuku Fidelis (89m)

Disciplina: cartão amarelo a Romano Schmid (52m), Philipp Sturm (73m), Jusuf Gazibegović (80m), Kuku Fidelis (90m+1)» in http://www.fcporto.pt/pt/noticias/Pages/Sub19-FC-Porto-Salzburgo-oitavos-UYL-1718.aspx


Formação: Sub-19 - FC Porto-Salzburgo, 3-1 (UEFA Youth League, oitavos de final, 21/02/18)
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