16/12/16

Amarante Literatura - Em 1938 rebenta a Segunda Guerra Mundial e, receosos de serem internados num campo de concentração, os Thelens, que estavam em França, chegam à Casa de Pascoaes.


Marsman e Theler, Tradutores Holandês e Alemão da Obra de Teixeira de Pascoaes.




Casa da Levada, Bustelo, Travanca do Monte, Amarante.


«Os Thelen e Pascoaes

Em 1938 rebenta a Segunda Guerra Mundial e, receosos de serem internados num campo de concentração, os Thelens, que estavam em França, chegam à Casa de Pascoaes. Vieram até ao Porto de táxi, dirigiram-se ao escritório de Ângelo César (que já conheciam por correspondência) e ele trouxe-os a São João de Gatão.

Foram recebidos de braços abertos.

Ele escrevia artigos contra Hitler e continuava a trabalhar nas traduções da obra de meu Tio. Ela - a Beatriz - começou a dar lições de francês e inglês às meninas da vila. Era Suiça. 

Passávamos os serões suspensos de uma velha telefonia que nos dava as últimas notícias dos ataques germânicas.

Sempre que um submarino alemão metia no fundo um cruzador britânico, o Thelen, desgostoso, ficava doente e metia-se na cama.

Para o consolar, o Poeta punha-lhe na mesa de cabeceira uma garrafa de vinho do Porto: 48 depois, a garrafa estava vazia e o Thelen conformado.

Ele enviava exemplares de obras traduzidas de meu Tio às personalidades mais notáveis da Europa e recebia cartas verdadeiramente entusiásticas. Por exemplo, o grande pensador russo Bardieff afirmava: «Não sabia que nos nossos dias nos era possível abordar um Dante e um Milton.»

Thelen traduziu ainda o «Verbo Escuro».

Depois. escreveu um livro de versos dedicado à casa, às fontes, aos velhos sobreiros que ladeiam o estradão da entrada. Chamou-lhe: «Schloss Pascoaes».

O Thelen era um homem alto, de grande arcaboiço e um olhar muito doce. Era muito culto e muito inteligente, mas sacrificava tudo ao humor... Tinha uma grande habilidade manual. Fazia velas de cor candeeiros de madeira e tecia muito bem.

A Beatriz era forte e baixa, calma e inteligente e muito ligada ao marido. Fazia casacos de malha com lindos desenhos de cor e ensinou a sua arte a todas nós.

Ambos se adaptaram muito bem à vida monástica da Casa de Pascoaes. E por ali ficaram durante oito anos.

O Thelen era frequentemente chamado para a guerra, mas os seus pulmões eram fracos e o Dr. Vasco Nogueira de Oliveira fazia relatórios para a embaixada alemã que o mantinham por cá.

A certa altura, o médico aconselhou um clima de altitude. Então, os Thelens foram passar dois anos a casa de minha mãe, em Travanca do Monte, na Serra da aboboreira, um contraforte do Marão.» in Fotobiografia "Na Sombra de Pascoaes" de Maria José Teixeira de Vasconcelos.

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