«Em 1914, Pascoaes publica o «Verbo Escuro» - um livro de pensamentos e aforismos. Dizia: «Quero viver, isto é: tomar a realidade nas mãos e desfazê-la em sonho!»
Nesse mesmo ano publica ainda uma conferência - «Era Lusíada». Nas páginas da revista «A Águia» surge uma acesa polémica entre Pascoaes e António Sérgio sobre o Saudosismo, que levará ao afastamento deste último da Renascença Portuguesa e ao corte de relações entre os dois amigos.
Mas no fim da vida, poucos meses antes de morrer, Pascoaes foi a Lisboa fazer uma conferência sobre a Saudade, no Conservatório, a pedido de Afonso Botelho. António Sérgio estava lá. No fim, foi ao encontro do Poeta de braços abertos. Pascoaes, a sorrir pergunta: «Isto é um abraço ou uma facada?» E caem nos braços um do outro. António Sérgio declara: «Você é que tinha razão.»
Esta cena tão bonita comoveu-me muito.
Já anteriormente, quando de uma homenagem da Academia de Coimbra, em Maio de 1951, António Sérgio lhe dedicara um soneto enternecido:
Ao Teixeira de Pascoaes
"As pessoas são nada, e as cousas são tudo:
Ah, se o pensaste assim, e se o disseste,
É que infundindo-lhe alma, às cousas deste
Um coração represo, arfante e mudo!
O penumbroso monte, o tronco mudo,
Vivem na névoa humana em que os puseste;
Tornaste irmão ansioso o vento agreste
E carinhosa a relva em seu veludo.
Bendito o canto teu, porque desperta
Essa visão de uma alma já liberta
Das cadeias da luta e da miséria.
E ao paraíso ao cabo regressada,
-Porque viu, ao fulgor da «”Vida Etérea”»,
Que as pessoas são tudo e as cousas são nada!"» in Fotobiografia "Na sombra de Pascoaes" de Maria José Teixeira de Vasconcelos.
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3916.pdf
http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/659/15/20628_ulsd_re525_TD_A_EST_PANT_DE_T_DE_PASCOAES232_281.pdf
https://philpapers.org/rec/COUPEV
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