«Raquel Tavares anuncia fim da carreira: "Deixem-me só ser"
O anuncio foi feito, esta manhã, no programa de Cristina Ferreira, na SIC. "Cantar é a minha vida desde que me lembro de ser gente", mas "decidi que quero viver o resto da minha vida além da forma como vivi nos últimos 28 anos", começou por dizer.
A fadista, que fará 35 anos esta semana, explicou que esta é a decisão mais difícil que já tomou. "Decidi parar de cantar, já parei", afirmou emocionada a cantora, que diz ter dado o seu último concerto em outubro, nos Armazéns do Chiado, em Lisboa.
“Nesse concerto disse às pessoas que ia partir para uma fase nova da minha vida a um ritmo menos veloz. Porque o ritmo da vida artística, é rápido, é tão rápido. É tudo tanto, e ao mesmo tempo, que deixei de conseguir acompanhar", disse.
"Cheguei a uma fase em que estava doente", acrescentando que "já estava muito incapaz há muito tempo. Fui para lá do meu limite”.
"Eu trabalho com emoções, não canto nunca a feijões. Não há uma vírgula poética que eu cante porque sim. Não me proponho a fazer mais ou menos, nunca. No último ano e meio subi a palco, muitas vezes, doente, sem nada para cantar", continuou.
Nos últimos meses, Raquel Tavares assumiu atuar várias vezes doente, com febre, tendo também perdido dez quilos. “Neste momento cantar é uma coisa que me faz mal. Na minha cabeça, este é um ponto final”, garante.
“Antes de sermos artistas, somos pessoas. Temos vidas difíceis (...) Eu não sou uma figura pública, sou artista e gosto é de cantar", disse à apresentadora da SIC.
A fadista agradeceu ainda às oportunidades que o público lhe deu, a quem diz "ser muito grata", e pediu desculpa por algumas situações, como não estar disponível para dar autógrafos depois de um concerto.
"Chego a casa e sinto-me muito sozinha. Aos 35 anos, o que é que eu tenho? Tu já tens um filho, eu não tenho. Tu tens a tua mãe lá em casa, eu não tenho. Estamos rodeados de gente, a gritar, mas ninguém nos ouve”, diz visivelmente emocionada e pedindo desculpa por "poder estar a ser muito agressiva".
"Deixo muita gente na mão, e desculpem-me por isso. Já não dava mais", termina.
Sobre o futuro? "Não tenho medo de trabalhar" diz assegurando "que vai tentar outras hipóteses".
A conversa termina com a fadista abraçada a Cristina Ferreira. Em lágrimas, Raquel Tavares pede: "deixem-me ser, deixem-me só ser".
Raquel Tavares editou quatro álbuns de estúdio: "Porque Canto Fado" (1999), "Raquel Tavares" (2006), "Bairro" (2008) e "Raquel" (2016).» in https://24.sapo.pt/vida/artigos/raquel-tavares-anuncia-fim-da-carreira-deixem-me-so-ser
Raquel Tavares - "Detalhes"
Raquel Tavares - "Meu Amor de Longe"
Raquel Tavares - "Emoções"
Raquel Tavares - "Fera ferida"
"Meu Amor de Longe
Raquel Tavares
No Largo da Graça já nasceu o dia
Ouço um passarinho, vou roubar-lhe a melodia
Meu amor de longe ligou
Abençoada alegria
Junto ao miradouro, pombos e estrangeiros
Vão a cirandar como fazem o dia inteiro
Meu amor de longe já vem
Pôs carta no correio
Barcos e gaivotas do Tejo
Vejam o que eu vejo, é o sol que vai brilhar
Meu amor de longe está
Prestes a chegar
Talhado para mim
Mal o conheci, eu achei-o desse modo
Logo pude perceber o fado que ia ter
Por ver nele o fado todo
Chega de tragédias e desgraças
Tudo a tempo passa, não há nada a perder
Meu amor de longe voltou
Só para me ver
Fiz um rol de planos para recebê-lo
Fui pintar as unhas, pôr tranças no cabelo
Meu amor de longe há-de vir
Beijar-me no castelo
Eu a procurá-lo, ele a vir afoito
Carro dos Prazeres, número 28
Meu amor de longe saltou
Iluminou a noite
Vamos celebrar ao Bairro Alto
Madrugada, baile no Cais do Sodré
Meu amor de longe sabe bem
Como é que é
Talhado para mim
Mal o conheci, eu achei-o desse modo
Logo pude perceber o fado que ia ter
Por ver nele o fado todo
Chega de tragédias e desgraças
Tudo a tempo passa, não há nada a perder
Meu amor de longe voltou
Só para me ver"
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