20/06/16

Acidentes - A 1 de Maio de 1981, a queda de uma avioneta que dava um espetáculo de saltos em Évora provocou a morte imediata de quatro paraquedistas, entre eles o piloto da aeronave.



«1 de Maio de 1981. Um dia trágico para os paraquedistas

Acidente em Ferreira do Alentejo trouxe à memória dia que pôs de luto a comunidade de paraquedistas. Na altura, foi erro humano.

A 1 de Maio de 1981, a queda de uma avioneta que dava um espetáculo de saltos em Évora provocou a morte imediata de quatro paraquedistas, entre eles o piloto da aeronave. Luísa Almeida, a única mulher a bordo do voo amador e também paraquedista, sobreviveu à queda em estado crítico mas viria a falecer dias mais tarde. O acidente de ontem em Ferreira do Alentejo, que causou a morte ao piloto que transportava uma equipa de sete paraquedistas, trouxe à memória aquele que foi o dia mais trágico para uma comunidade que em Portugal continua a ganhar todos os anos novos adeptos. Na altura, o acidente foi considerado erro humano. Desta vez, tudo aponta para uma falha no equipamento.

O clube de para-quedismo “Bóinas Verdes”

A 1 de Maio de 1981, uma equipa do clube de paraquedismo “Bóinas Verdes”, em Tancos, estava a dar um espetáculo de Saltos no aeródromo de Évora quando aconteceu o inesperado: o avião despenhou-se perante a assistência.

O avião, um monomotor D0-27, descolara pouco antes, pelas 11 horas. Dois dos ocupantes ainda fizeram os saltos sem se aperceberem de nada mas os outros cinco ocupantes não conseguiram escapar.  O “Diário de Lisboa”, que noticiou o acidente na primeira página da edição de 2 de Maio, lembra que três ocupantes eram militares, entre os quais o piloto. A bordo no momento do seguinte seguiam ainda um torneiro-mecânico natural de Leiria, de 35 anos, e a assistente bancária de 25 anos, de Lisboa. Embora estivessem militares a bordo, tratou-se de um acidente civil, uma vez que o aparelho não pertencia à Força Aérea Portuguesa mas aos Bóinas Verdes.

Segundo uma testemunha ocular citada pelo diário, o avião começou a perder altitude de forma inesperada quando estava a passar a 400 metros de altitude da pista. “Numa fração de segundo, estatelou-se no solo”, lê-se no diário, que recorda que estavam várias pessoas a assistir.

Durante a queda, um dos paraquedistas ainda tentou salvar-se tentando o salto, mas o paraquedas não teve altura suficiente para abrir e o homem teve morte imediata.

“Por poucos minutos não foi evitado”, recordou ao i Caeiro Martins, presidente da Federação Portuguesa de Paraquedismo.  “Mais 50 metros e poderiam ter conseguido fazer a aterragem.”

“Na altura foi erro humano, o que aconteceu desta vez é único”

Caeiro Martins lembra que, na altura, se tornou claro que teria havido erro humano, uma “distração do piloto” que terá levado à perda de altitude, que depois não foi possível corrigir a tempo. “Ainda tentou levantar o avião, mas já não conseguiu”.

Para o paraquedista, o acidente de ontem à tarde em Canhestros, Ferreira do Alentejo, é por isso único no país. “O avião desintegrou-se no ar”, explica o responsável da federação, que já falou com os paraquedistas envolvidos e diz que se vive uma grande perplexidade, até porque a aeronave tinha regressado de manutenção.

Caeiro Martins salienta que o facto de dois paraquedistas terem saltado inconscientes e, mesmo assim, os paraquedas terem aberto mostra a segurança dos equipamentos nos dias de hoje. Perante um salto, e se a pessoa não perde velocidade, os paraquedas de reservas – que hoje são obrigatórios – abrem entre os 1500/1600 pés, explica o responsável.

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves ainda não confirmou oficialmente a abertura de um processo de investigação de segurança, o que sucede sempre nos acidentes que envolvam civis quer haja ou não vítimas. Este ano já foram abertos seis processos mas ainda não tinham sido registadas vítimas fatais em acidentes com aeronaves. Em Maio, porém, um paraquedista morreu após cair no aeródromo de Braga. Estaria a praticar paraquedismo de ascensão.

O avião envolvido neste acidente era um monomotor Pilatus PC-6/B2-H2, com matrícula alemã (D-FSCB) e operado pelo Grupo Seven Air. O piloto, que teve morte imediata, era de nacionalidade belga. Estava ao serviço da escola de paraquedismo Skyfall. Segundo o i apurou, ainda no sábado a mesma aeronave tinha permitido fazer vários saltos, sem que nada fizesse suspeitar este desfecho.» in http://sol.sapo.pt/artigo/513881

Sem comentários:

Enviar um comentário