Fundado em data incerta, no séc. XIII, por D. Mafalda, infanta de Portugal, enquanto recolhimento de beguinas.
Confirmado e em pleno funcionamento em 1272, o pequeno mosteiro viria a adotar a Ordem de Santa Clara. Já nos séc. XV e XVI, viria a ser alvo de uma profunda intervenção, patrocinada pelos donatários do concelho de Gouveia de Riba-Tâmega, que nele instalam o seu panteão familiar. No séc. XVI, Manuel Cerqueira, mestre-escola da Sé de Évora, procede a uma nova remodelação, edificando, entre outras beneficiações, a capela lateral de S. José.
No dia 18 de Abril, de 1809, o mosteiro é consumido pelas chamas que o exército napoleónico ateou após uma batalha com as forças luso-inglesas, tendo escapado incólume a sua igreja. Depois de um longo processo de reedificação, o mosteiro volta a ser ocupado pelas religiosas que atempadamente se haviam retirado para o mosteiro da Madre de Deus de Monchique, na cidade do Porto.
Em 1833, com a proibição de novas admissões ao noviciado e em 1834, com a extinção das Ordens religiosas em Portugal, o mosteiro de Santa Clara inicia o processo de morte lenta que culmina em 1862, com a transferência da sua última religiosa para o mosteiro de Santa Clara do Porto.
Tendo sido depois vendido em hasta pública e convertido, a pouco-e-pouco, numa residência particular - a Casa da Cerca - por um emigrante português no Brasil, que alterou a configuração original, com transformações e adaptações, manteve-se, no entanto, na designação, a memória da cerca monástica.
Na Casa da Cerca, adquirida pela Câmara Municipal de Amarante, em 1993, com a finalidade de aí serem instalados a Biblioteca e Arquivo Municipais, foram realizadas sondagens arqueológicas, pondo a descoberto diversos achados, desde fragmentos de peças de cerâmica e de azulejos a alfinetes metálicos, contas de rosário, medalhas e moedas.
As freiras do ramo feminino da Ordem Mendicante Franciscana, devotas de Santa Clara (advogada da fala), foram as principais responsáveis pelo desenvolvimento e difusão da doçaria que constitui, hoje, uma das referências da cultura local. A oferenda à santa de aves de capoeira - metáfora da desenvoltura da fala rogada pelos fiéis com dificuldades - permitiu a utilização dos seus ovos, principal matéria-prima que deu origem à doçaria que hoje apelidamos de conventual, designadamente: São Gonçalos, Foguetes, Papos de Anjo, Brisas do Tâmega, Lérias e Pingos de Tocha.
Do antigo conjunto monástico resta atualmente pouco mais que o templo, parcialmente demolido, em 1962, aquando do alargamento da rua, nomeadamente a capela lateral de São José. Nesta, é de salientar o pormenor da abóbada de berço, com caixotões guarnecidos de rosetas esculpidas e centradas pela pedra de armas dos Cerqueiras, idêntica à existente na entrada da capela.» in
http://www.cm-amarante.pt/pt/mosteiro-de-santa-clara
«Clara de Assis
Clara de Assis, em italiano Santa Chiara d'Assisi, nascida Chiara d'Offreducci (Assis, 16 de julho de 1193 — Assis, 11 de agosto de 1253), foi a fundadora do ramo feminino da ordem franciscana, a chamada Ordem de Santa Clara (ou Ordem das Clarissas).
Pertencia a uma família nobre e era dotada de grande beleza. Destacou-se desde cedo pela sua caridade e respeito para com os pequenos, tanto que, ao deparar-se com a pobreza evangélica vivida por São Francisco de Assis, foi tomada pela irresistível tendência religiosa de segui-lo.
Enfrentando a oposição da família, que pretendia arranjar-lhe um casamento vantajoso, aos dezoito anos Clara abandonou o seu lar para seguir Jesus mais radicalmente. Para isto foi ao encontro de São Francisco de Assis na Porciúncula e fundou o ramo feminino da Ordem Franciscana, também conhecido por "Damas Pobres" ou Clarissas. Viveu na prática e no amor da mais estrita pobreza.
O seu primeiro milagre foi em vida, demonstrando a sua grande fé. Conta-se que uma das irmãs da sua congregação havia saído para pedir esmolas para os pobres que iam ao mosteiro. Como não conseguiu quase nada, voltou desanimada e foi consolada por Santa Clara que lhe disse: "Confia em Deus!". Quando a santa se afastou, a outra freira foi pegar no embrulho que trouxera e não conseguiu levantá-lo, pois tudo havia se multiplicado.
Em outra ocasião, aquando da invasão de Assis pelos sarracenos, Santa Clara apanhou o ostensório com a hóstia consagrada e enfrentou o chefe deles, dizendo que Jesus Cristo era mais forte que eles. Os agressores, tomados de repente por inexplicável pânico, fugiram. Por este milagre Santa Clara é representada segurando o Ostensório na mão.